sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Vida leva eu...

Existem coisas que para nós, são ditadas como básicas da sobrevivência, entre elas, não ficar sozinho, se socializar e ter amigos. Embora eu sempre tenha sido super sociável, gostar de falar (até demais), e me importar com os outros, eu não tenho tantos amigos assim, não sei se por algum problema meu ou apenas medo de confiar em muitas pessoas e acabar me arrependendo. Tenho poucos, mas ótimos amigos, que posso contar a todo momento e sei que lá estarão para o que eu precisar. Outra coisa praticamente vital está em nunca ficar sozinho... As pessoas passam uma vida toda procurando alguém para amar, como se isso fosse uma condição básica de sobrevivência, e isso é tão imposto, que acabamos tornando quase que como um objetivo de vida... Mas e quando a gente vê que esse objetivo, na realidade, não é necessário?
Sempre procurei alguém, sempre procurei estar próxima a alguém e ter quem me "amasse". Fui querida, delicada, amável, demonstrando todo o sentimento possível, até me dar conta que eu não precisava disso, que eu não sou autossuficiente, mas também não preciso sempre ter alguém ao meu lado. Demorei os belos 20 anos da minha vida até entender isso. Até parar de tentar controlar cada atitude e momento para o bem. E quando me dei conta que essas coisas não eram tão necessárias, deixei o vento levar e a vida tem me levado à momentos inesquecíveis.
Tenho deixado tudo ser como deve ser, ou ao menos eu acho que é assim, sabe? Deixando as coisas acontecerem, deixando o destino fazer, finalmente, o seu trabalho. Os problemas com expectativas que sempre tive, foram pelo ralo depois de um longo banho quente, onde decidi deixar que os ventos soprassem do jeito que desejassem. As lágrimas de um passado não tão distante desceram juntos, e meu coração decidiu que a partir dali, elas não existiriam mais. Deixei momentos de lado, lembranças pra trás, sentimentos que há muito já não existiam, apareceram para se despedir. E então, veio a solidão...
Mas e quem disse que a solidão não é boa? A solidão pode ser algo até egoísta, sabe? Podemos estar sós e ser felizes, sem nos importar se fazemos alguém feliz, ou não. Embora muitos sentimentos tenham partido, a minha mania de querer fazer as pessoas felizes não... Ela apenas foi redirecionada.
Prometi à mim mesma não mais chorar, não mais sofrer, não mais doar. Doar sentimentos que eu queria ter, mas não os tinha mais. Existe uma importância incrível em fazer os outros felizes, mas por vezes, esquecemos que o primordial da vida, é viver, certo? Aí decidimos fazer outra pessoa feliz e nos deixamos de lado, deixamos de nos amar, para nos dedicar ao outro. Não que isso seja errado, mas há dosagens corretas para tudo, temos de amar o próximo, mas também a nós mesmos, esse é um grande mandamento que se aplica também à vida, independendo a religião pessoal.
Ao me dar conta disso, percebi o quão abandonada eu andava, o quão sozinha... Não de presenças alheias, mas da minha. O quanto eu deixei de me importar com a minha felicidade, escolhas, amizades. O quão sozinha eu fiquei quando decidi realmente ficar. Incrível como a solidão é um momento de reflexão.
A procura pelos velhos amigos, fazendo-os tornar-se novos outra vez. A procura dos velhos olhos e sorrisos que sempre estavam ao meu lado. A interminável procura pelo meu ser, há muito abandonado num canto obscuro do coração.
Mas, tudo vale à pena, a vida vale à pena, a alegria também, e sim, por incrível que pareça, a solidão vale MUITO à pena. Ela nos faz enxergar diversas coisas, tanto boas, quanto ruins. Mas, principalmente, ela nos faz enxergar a nós mesmos. Depois dessa conclusão de auto procura, pode-se encontrar outros amigos, amores e sorrisos. Depois disso tudo, finalmente, pode deixar a vida levar, pra onde ela quiser, se for necessário, como a música, seguir a direção, de uma estrela qualquer.
Só sei que agora sim, sou feliz e agradeço por tudo o que Deus me deu.